Capítulo 15 – A música... o bom e velho Rock...
“temos
todo o tempo do mundo...”
Como vocês devem ter percebido, sou um
grande fã da legião Urbana.... cada capítulo traz um verso de alguma música
deles. L também.
Durante suas crises, era comum colocar
a música Tempo Perdido na playlist e cantar em voz muito alta, sentada no chão
do boxe, muitas vezes de roupa e tudo, enquanto a água caía e fundia-se com suas lágrimas. Isso aconteceu
tantas vezes, mas tantas vezes, que, confesso, ouvir a música passou a trazer
um sentimento estranho... mas... nesse final de ano (2018) ouvimos essa música
de novo, e foi um dos momentos mais felizes da minha vida...
Antes, deixa um falar um pouco da
relação da L com o rock, porque 4 momentos são especiais demais:
1º
- show do IRA no Circo Voador. Levei L e um sobrinho muito amado, S, para um
show dessa banda que também adoro. Foi um ótimo show, estava lotado e L estava
curtindo bastante. E eis que toca “dias de luta” e ela canta com uma vontade incrível...
chorei. Chorei feliz demais por dividir esse momento “pai e filha” depois de
tantos momentos tristes... isso aconteceu ali por 2015... Meses depois
encontrei o Nasi, vocalista da banda no aeroporto. Ele estava na minha frente e
pediu um pão de queijo e um café. Disse pra atendente “negativo. O Nasi não
paga a conta. A alegria que ele e sua banda me deram foi tão grande, mas tão
grande, que nem todos os pães de queijo do universo poderiam pagar minha
dívida...”
Contei pra ele o porquê. Ele sorriu e
disse “tocaremos de novo mês que vem no Rio. Vem de novo com ela, pô!”
“não
dá, Nasi. Ela não estudou pra matemática e preciso dar um castigo...”
E
não é que ele gravou uma mensagem pra L? Super simpático, ele disse que ela não
poderia “dar mole”, afinal, outros shows viriam pela frente...
Aqui, vale um parêntese importante pra
falarmos sobre uma questão: onde começa uma crise e onde começa a “preguiça” do
adolescente? Difícil. Qualquer um que tenha passado pela adolescência sabe que
é um período difícil, com muitas dúvidas e sentimentos complicados. Mas também
é uma época de birra, malcriação, preguiça e brigas.. Não deixe de disciplinar
seu filho por “medo” de exagerar. Acredite no que estou dizendo: seu filho
saberá exatamente como manipulá-lo... Você precisa tentar evitar. É difícil,
amigo. Muito difícil... mas extremamente necessário... Nesse exato momento, S
acaba de dizer que L teve um comportamento recorrente. Só pedir pra lavar um
banheiro, uma louça ou qualquer outra tarefa doméstica... Pode apostar que,
minutos depois, L dirá que está em crise, que há um aperto no peito, etc,
etc... No início, ficávamos agoniados achando que realmente uma crise... Mas...Por
que será que isso acontece sempre que se pede pra fazer algo? Birra.... pura e
simples...
2º
momento – show da Legião Urbana 30 anos... Meu 1º show de rock foi em 1986, no Maracanãzinho... Alternativa Nativa era o nome do evento. E vi meu 1º show da
Legião... consegui assistir ao show com L e meu amigo, irmão, camarada J, que estava comigo em 86... Que momento... E
foi “mágico” ouvi-la cantar “tempo Perdido” ali, no Circo Voador... E ela
estava feliz... E, pra variar, chorei...
Mas foi um choro realmente com motivo
justo... Pensa comigo: 30 anos depois, estava ao lado da minha filha, 2 sobrinhas (a dupla MM)
e meu amigo J com sua esposa... 30 anos depois e a amizade permanece firme (já
são mais de 40 anos) e pude compartilhar essa “pílula de felicidade”
com pessoas que amo muito.
3o momento - Roger Waters no Maracanã... Que noite... o espetáculo Us and Them, em si, já seria motivo de escrever umas 50 linhas. Som impecável, espetáculo de luzes, um dos grandes "monstros sagrados do Rock" no palco e, sentados, de boca aberta vendo tudo aquilo estavam eu, L e meu pai... 3 gerações curtindo uma musica incrível. Foi emocionante... não vou entrar nas questões políticas aqui, mas minha filha gritou várias vezes o "Ele, não" e eu ri... Suas opiniões estão formadas, seu caminho traçado e pude olhar pra ela e pensar "Passou... Minha princesa está bem..."
3o momento - Roger Waters no Maracanã... Que noite... o espetáculo Us and Them, em si, já seria motivo de escrever umas 50 linhas. Som impecável, espetáculo de luzes, um dos grandes "monstros sagrados do Rock" no palco e, sentados, de boca aberta vendo tudo aquilo estavam eu, L e meu pai... 3 gerações curtindo uma musica incrível. Foi emocionante... não vou entrar nas questões políticas aqui, mas minha filha gritou várias vezes o "Ele, não" e eu ri... Suas opiniões estão formadas, seu caminho traçado e pude olhar pra ela e pensar "Passou... Minha princesa está bem..."
4o momento – Ano Novo – falarei um pouco mais sobre as conquistas de 2018... Mas,
no dia 30, no condomínio onde alugamos um apartamento, próximo de Angra, havia
um clube. E havia um show de rock. Da nossa varanda, enquanto jogávamos
baralho (coisa de velho, eu sei), ouvíamos o show. E estava animado... pouco antes da meia-noite ela me
mandou um zap “já tocou Pink Floyd... está tocando só musicas que você gosta...
falta você...” JL também me mandou zap. Não tinha como não ir... ela estava com duas novas amigas (verdade... Ela fez 2 amigas naquela semana) e com a dupla MM. E estava cantando, dançando, falando
e... feliz... E, quando o vocalista começou a cantar “Tempo Perdido”, ela
balançava os braços, dançava e cantava alto. Tão alto, que a L de 5 anos atrás,
sentada no escuro do banheiro, cantando a mesma música, podia ouvir... E foi
então que ela virou-se, em câmara lenta, vento batendo em seus cabelos e me olhou nos olhos... Porque sabia que eu estaria
chorando... e sorriu... Um sorriso tão doce e tão radiante, que nem o
Alzheimer, um dia, poderá apagar da minha memória...
E, por alguns segundos, o filme de tudo o que passamos estava chegando ao fim. E lembrei do sorveteiro e das câmeras... opa. Não. Essa não... Lembrei dos cortes, dos choros, das crises, dos medos, dos monstros que saíam da parede. Do desejo de morrer e quase desistir. lembrei que sempre disse que seria uma maratona e que, sempre, estaria correndo ao seu lado. Lembrei das vezes em que chorei escondido, sozinho, trancado no banheiro pra ninguém ver. Lembrei das vezes em que tive que parar o carro no acostamento para gritar, socar o volante do carro e perguntar "POR QUÊ???" E sorri. E fiz sinal de que estava indo embora... E voltei pra casa.
Caminhei... Ora olhando pro chão, ora buscando as estrelas. Estava em paz. Parei em frente ao prédio. Lembrei que o ano tinha sido bom. Perfeito? Claro que não. Mas e daí? E vi que estávamos num momento diferente... Meu coração estava leve...
E, por alguns segundos, o filme de tudo o que passamos estava chegando ao fim. E lembrei do sorveteiro e das câmeras... opa. Não. Essa não... Lembrei dos cortes, dos choros, das crises, dos medos, dos monstros que saíam da parede. Do desejo de morrer e quase desistir. lembrei que sempre disse que seria uma maratona e que, sempre, estaria correndo ao seu lado. Lembrei das vezes em que chorei escondido, sozinho, trancado no banheiro pra ninguém ver. Lembrei das vezes em que tive que parar o carro no acostamento para gritar, socar o volante do carro e perguntar "POR QUÊ???" E sorri. E fiz sinal de que estava indo embora... E voltei pra casa.
Caminhei... Ora olhando pro chão, ora buscando as estrelas. Estava em paz. Parei em frente ao prédio. Lembrei que o ano tinha sido bom. Perfeito? Claro que não. Mas e daí? E vi que estávamos num momento diferente... Meu coração estava leve...
E foi uma noite em que, sozinho no
quarto, quase dormindo, falei pro monstro
“Você
perdeu... L está bem... esse ano foi de vitórias e você está enterrado,
babaca!”
Meu marido falou que ía ficar 😭😭😭, nesse postou e ele acertou 😭😭😭😭, bateu esperança agora.
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