Capítulo 7 - escolas...continuação
Pouco antes da nossa volta para o Rio, teve outro colégio, o SJ. Imagina o caos: nova escola, alucinações, medo, o torpor pelo excesso de medicamentos... L jurava de pé junto que todos riam dela cada vez que se trancava no banheiro. Hoje, ao olhar pra trás, reconhece que o problema não era as escolas, mas a reação defensiva que ela tinha. Se já era tímida em uma situação normal de temperatura e pressão, imagina num momento delicado como o que estava passando.
E foi então que, ao mudarmos para o Rio
descobrimos o Alfa. Foi engraçado porque visitamos várias escolas e pensamos em
coloca-la na escola em que ela estudava antes do período em são Paulo. Mas, por
questões logísticas, preferimos uma escola que ficasse no mesmo bairro em que
morávamos. Após 5 visitas, descobrimos o Alfa. Uma escola com uma diretora
adorável, que fez nossos olhos brilharem e nos empolgarmos com a chance de
termos um ambiente acolhedor. E como essa escola é acolhedora. Um ano depois
mudou a diretora, mas o DNA de atender bem permaneceu.
L teve várias crises em seu primeiro
ano. Sabíamos que seria muito difícil termos um bom resultado durante o ano
letivo. Afinal, as aulas começaram em fevereiro, L apenas no final de março.
Escola nova, cidade (velha) nova, novos amigos (que amigos?), novos médicos...
muita coisa pra ser assimilada em pouco tempo. Mas, como tinha dito para a
diretora do famigerado AS, tinha tempo para prepara-la para uma possível
reprovação. E reprovou.
E levantou, sacudiu a poeira e deu a
volta por cima. O resultado acadêmico de L começou a cair quando ela fez seus
11, 12 anos. Principalmente em matemática, onde ela encarava uma prova como se
fosse um dragão de 8 cabeças. Com o tempo, física e química também assumiram
seus papéis nesse circo de horrores que são as provas. Foram várias reuniões
com os professores em que eles diziam “não entendo. O resultado é incompatível
com o jeito, com a forma de se expressar, com as ideias...” Sabemos disso. Mas,
o principal é que os professores sabem. A coordenadora sabe. A diretora sabe. A
“moça da limpeza sabe”. O rapaz da portaria sabe. Pra onde eu olho vejo carinho
e atenção com minha filha. No final do ano passado, L ficou em recuperação em 3
matérias. Foi um sofrimento. Mas, quando ela pegou o resultado, chorou
compulsivamente de alegria. A coordenadora chorou junto. A diretora idem. Os
professores idem. Todos torcem pelo sucesso da L. E de vários outros alunos
que, soubemos, passam pelo mesmo problema.
A cada crise, eles a acalmam,
conversam, consolam. Só depois nos ligam. Muitas vezes apenas para dizer o que
aconteceu, mas que já estava melhor e que dava para mantê-la em sala por mais
alguns momentos. Quando penso na diferença entre a forma como a escola
paulistana lidava com o problema, como se fosse um estorvo. Mais de uma vez
fomos aconselhados a mudar de escola. Afinal, o AS tinha um padrão de exigência
muito alto e o RESULTADO de L não estaria a altura da reputação... no Alfa?
Várias vezes nos chamaram para tranquilizar e comemorar cada nota maior que ela
tirava.
Ela ficou reprovada. A diretora
conversou conosco e chegamos a conclusão que era o momento de enfrentarmos a
reprovação. Sabíamos que tínhamos apenas adiado esse resultado ruim. Mas creio
que tenha sido importante para que L aprendesse que a vida é feita de batalhas.
E que precisamos enfrenta-las no nosso dia-a-dia. No último dia de aula antes
das férias de julho, ela teve prova de matemática. Simplesmente travou diante
daquelas questões que pareciam estar escritas em mandarim. Não conseguiu
misturar “lé com cré” e entregou a prova
praticamente sem chegar a metade. Quando me ligou, aos prantos, pedindo para
busca-la, argumentei que poderia tentar pedir a prova novamente ao professor e
tentar de novo, que seria importante, etc. mas não houve jeito. Desistiu. Foi
um diálogo duro o que tivemos, afinal, tentei mostrar que não estava triste
porque tiraria uma nota ruim, mas porque sequer tentaria de novo. Não adiantou.
Ainda liguei pra S e disse o que estava acontecendo. S tentou convence-la. Mas
não teve quem a fizesse voltar a sala de aula. Confesso que fiquei em dúvida se
deveria ter exigido que ela tentasse. Minha vontade era de usar minha “autoridade
paterna” para obriga-la. Mas será que adiantaria? Provavelmente não. Preferi
recuar e deixar para o próximo semestre.
O que me deixou mais tranquilo (ou menos
nervoso) é que a diretora da escola nos chamou de novo para avaliarmos
como estava o rendimento e o que poderíamos fazer para que ela não perdesse seu ano letivo.Tinha certeza que M, a coordenadora, estaria sempre lá, com seu carinho especial,
torcendo para que as notas não fossem a tormenta que se apresentava no
horizonte... Mas, mesmo quando vinha uma tempestade daquelas, sabíamos que não
estaríamos sós. E L seguiu em frente... E melhorou as notas... décimo a décimo, ponto a ponto... E se formou no final de 2018...
Palmas para o Alfa Cem. Uma família que
cuida da minha como se fosse a família deles. JL e AC também estudam lá.
Adoram. E não passa pela nossa cabeça mudarmos de “família”.
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