Capítulo 7 - Escolas - uma acolhedora a outra... melhor esquecer




Capítulo 7 – “O meu 1º dia na escola, como eu senti vontade de ir embora...”
L estudava em uma ótima escola de São Paulo. Era uma escola com uma estrutura incrível, aparelhagem, aulas dinâmicas, excelentes passeios e uma ótima colocação no Enem. Depois de um início muito difícil, sem conseguir fazer amizades em sua turma, apostei as fichas numa festa de aniversário “diferente”. Aproveitei a primeira reunião de pais e pedi apoio para que todos os filhos fossem ao boliche. Expliquei que tínhamos nos mudado do Rio e que, se não desse certo, ou seja, se as crianças não fossem, seria uma decepção muito grande e teria que voltar. Mas voltar significaria desistir de uma série de planos. Os pais colaboraram e enchemos 4 pistas. L estava encantada. Sua festa tinha sido um sucesso e uma nova fase se iniciava.
L tinha 4 amigas e eram bastante unidas. A era especial, melhor amiga e confidente. Tanto que já veio 3 vezes ao Rio para passar férias junto com a mãe e a irmã. Uma família amável e que guardamos com muito carinho no coração. Até que não tinha lá grandes  dificuldades em se integrar, embora discordasse de várias atitudes típicas de um grupo de adolescentes de classe media em qualquer grande cidade: roupas de marca, namoros fúteis, peguetes, festas e descobertas. Havia uma tensão no ar por conta da formatura do nono ano. Alguns prometiam sair um pouco do prumo, sabe como é...
Na boa? Nada diferente de qualquer outro grupo que eu tenha visto dos anos 80 pra cá. A questão crucial é a forma como a escola se comportou diante da crise. Toda a admiração que eu tinha pelo colégio AS caiu por terra. Aquela escola "modelo", que encanta e investe em todo o potencial que o jovem tem, não teve consideração alguma com nossa dor e nossas dúvidas.
 Logo que L ficou internada, conversamos com a diretoria da escola e dissemos o que estava acontecendo e a gravidade da situação. Nas semanas seguintes, L perdeu muitas aulas. Quando ia, invariavelmente pedia pra sair mais cedo ou se trancava no banheiro chorando convulsivamente. Ok. Não sei se, no manual de apoio  alunos com depressão está escrito como a escola deve proceder. Mas não acredito que tenha sido correta a atitude da diretoria...
Primeiro eles deixaram claro que dificilmente L passaria de ano. Foi a 1a coisa que a diretora falou. Não perguntou como a escola poderia ajudar, não quis saber como estava o tratamento, se havia algo que os professores e alunos pudessem fazer... Não... Não ofereceram ajuda. Não se preocuparam em acolher e ajudar a nos orientar como proceder. O principal pensamento era se L acompanharia o ritmo. Levamos os laudos do psiquiatra e da psicóloga e conseguimos que ela fizesse trabalhos ao invés de provas. Não sei se fizemos certo, mas o que me apavorava era saber que L teria que enfrentar a adolescência, a doença e uma reprovação ao mesmo tempo. Lembro da diretora falando
“mas senhor F, ela não conseguirá acompanhar as matérias do ano que vem.”
“Eu sei. Mas temos um ano para prepara-la. Não estou preocupado se ela passará ou não de ano. Ela precisa se curar. E precisamos de uma escola que a acolha. Aqui não é o lugar.”
Mudamos de escola. Aliás, no início de 2013 ela cismou que queria sair do AS. Antes mesmo de descobrirmos a depressão, fizemos uma tentativa de troca. Foi terrível. Era uma escola católica (nenhum problema com isso, ok?) e as freiras desfilavam com suas roupas típicas pelos corredores. Foi então que descobrimos que ela tinha medo de freira. Ela congelou, chorou e se arrependeu. Pelo que me lembro, ela dizia que não gostava do estilo do AS, dos jovens e da forma como eles se relacionavam entre si. Mas a experiência foi ruim e, por pura sorte, a matrícula não tinha sido canelada no AS. Insisti que seria a melhor opção continuar no As em 2013. Depois veríamos uma alternativa. Mas, depois dos problemas da escola em não querer lidar com um aluno com depressão, não vi outra alternativa que não fosse buscar um lugar que tratasse o aluno como um ser humano, não apenas como mais um tijolo num muro...
Ou seja: a escola estava preocupada com resultados, números, imagem... Zero de preocupação com o bem-estar e a saúde de L. Ficamos chocados com a atitude deles... Por um momento, fiquei desesperado. “será que todas as escolas agem desse jeito? Será que encaram realmente os alunos como números? Será que não encontraremos uma escolha acolhedora e que trate nossa prin com carinho e amor”?
Encontramos...
Antes, compartilho o comentário de uma grande amiga sobre o que passamos no AS:
Eu não publiquei no face, mas tenho uma dúvida. Conheço muitos alunos que estudaram no S e que tem depressão ou tentaram contra a vida. Muitos jovens de lá se mutilavam. Inclusive minhas filhas. Tirei a mais velha de lá na metade do segundo ano do ensino médio. Ela estava destroçada psicologicamente. Muita pressão.”
Amiga, não tenho a mínima noção do que pode estar acontecendo com essa geração, mas não creio que seja apenas um problema do AS. Aliás, tenho certeza que não é. Infelizmente a depressão entre jovens vem se espalhando de maneira assustadora...

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