Capítulo 4 - A volta pro Rio...
Capitulo 4 – “estamos indo de volta pra
casa...”
Resolvemos voltar para o Rio.
Conversando com um amigo, ele pensava que voltamos porque as crianças preferiam
morar no Rio. Nada. Por eles, estaríamos em São Paulo, com seus amigos, nossa
rotina de igreja, escola, passeios no bosque perto de casa, idas a locadora
(tem gente que não saberá o que era uma locadora de DVDs) e no açougue pra
bater um papo, tomar um chope e comprar um bife ancho para fazer na varanda.
Mas precisávamos de apoio.
Numa das vezes que L teve uma reação
mais forte, percebi o quanto minha esposa “sofria junto”. Ela praticamente
saíra do trabalho e estava se dedicando aos filhos. Por estar muito envolvido
no trabalho, não tinha a plena percepção de tudo o que estava acontecendo e de
quantas crises L tinha. Mas, naquele dia, vi quão cansada S estava. Foi então
que pensei que seria melhor se tivéssemos pessoas em quem confiássemos por
perto. Irmãos, pais, primos... Pessoas as quais pudéssemos recorrer a qualquer
momento.
Dia desses ela teve uma crise séria.
Chegou a tomar alguns comprimidos de Rivotril junto com um pouco de uísque
(disse que queria morrer). Ao ligar para a mãe, dizendo que fizera besteira,
chorava e dizia que não sabia o que fazer. S se desesperou. Foi então que
apenas desliguei o telefone e pedi socorro a um cunhado. Estávamos a 100
quilômetros de distância... Meu cunhado estava a 5 minutos. Ele a acalmou, conversou
e nos tranquilizou... E se estivéssemos em São Paulo num momento desses de
crise mais intensa e a 100 quilômetros de distância?
Mas... Não foi uma decisão fácil não...
Tive que abrir mão de algumas possibilidades que são Paulo pode oferecer em
prol da tentativa de facilitar o tratamento de minha filha. AC chorava
diariamente. Às vezes várias vezes ao dia com saudades de suas amiguinhas. JL,
sempre mais tranquilo, dizia preferir São Paulo, mas que o Rio também era
legal... Minha esposa estava muito mais feliz por estar perto da família. Eu
também. Por mais que, às vezes, me perguntasse se tinha sido a melhor decisão
pensando na minha carreira, pensava que várias pessoas estavam mais felizes a
nossa volta. Meus pais? Nossa. Meu pai está com 79 anos e pega meus filhos na
escola. Minha mãe está com 75 e não resiste quando as netas pedem um biscoito
especial, um bolo ou um almoço caprichado.
E L? não foi fácil. Mas hoje ela
consegue ter um círculo de amigos e diz gostar de estar perto da praia, mas
prefere são Paulo. Eu entendo. Ela passou quase metade de sua vida em São
Paulo, tinha seu grupo de amigas e seus passeios. Falava com sotaque cada vez menor
e já não tinha o menor saco pra vir ao Rio visitar os parentes. Estávamos quase
entrando na fase de deixa-la na casa de alguma amiga ao invés de traze-la para
os churrascos na casa do meu cunhado R.
Eu? Cada vez que penso na possibilidade
de voltar a morar em são Paulo, caminho na praia da Barra da Tijuca, dou um
mergulho e penso na hipótese. Dou outro mergulho, penso nos meus pais, minhas
irmãs, sobrinhos, cunhados, amigos e... Abro um sorriso. Não posso reclamar
não... As coisas estão melhorando. L está cada vez melhor... E ter voltado a
morar na “minha cidade” pode estar contribuindo demais pra isso...
Fora estar mais perto dos meus pais e
ver meus sobrinhos crescendo. Eu e S gostamos demais de uma festa. Tudo é
motivo para reunirmos o povo próximo a churrasqueira. De quebra, meu pai passou
a ser o motorista das crianças, buscando-as na escola e sentindo-se muito bem
por isso.
Mas é uma maratona. Não é uma corrida
de 100 metros... Ainda é preciso muita paciência e calma... Apesar de ver minha
prin cada vez mais confiante e tranquila, ainda há uma pequena sombra de medo
no horizonte... A corrida não acabou, mas nossos passos seguem cada vez mais firmes,
confiantes e certos de que nosso lugar no pódio está garantido. Aliás, sei não... depois de todas as vitórias do último ano... é... O sol nasceu de vez sim... Embora seja natural a insegurança, o medo de uma recaída e a necessidade por vigilância constante...
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