Capítulo 12 – A viagem pra Disney
“E
ainda estou confuso, só que agora é diferente... estou tão tranquilo e tão
contente...”
Algumas semanas depois de L ter alta do
hospital, enquanto tentávamos entender toda a situação e como lidar com tudo
aquilo, perguntei ao Dr. P, seu 1o psiquiatra, se uma viagem em
família poderia amenizar um pouco sua dor e fazer com se distraísse. Dr. P
achou a ideia ótima. Que tal Disney? Eu e S achamos uma ótima ideia. Gastaríamos
nossa reserva, mas... emprego novo indo bem, S trabalhando, dava pra fazer uma
extravagância.
E assim planejamos nossa ida pra Disney
para que pudéssemos apertar a mão do Pateta. Outros amigos também foram e
conseguimos nos encontrar algumas vezes. Foi uma viagem cheia de “oitos e
oitentas”. Foram 15 dias com momentos incríveis e outros de muita tensão. O
saldo foi positivo, mas não foi fácil administrar as mudanças de humor de L,
princípios de crise em mais de um parque, minha sogra mal no Hospital... calma.
Vamos por partes:
Minha sogra estava muito mal, piorando
dia após dia naquele mês de dezembro de 2013. Próximo ao natal, foi internada
com o agravamento de sua doença. E não voltaria pra casa. Chegamos a pensar em
cancelar a viagem, afinal, o que faríamos se ela falecesse? Consultei a agência de viagem e descobri que não teríamos lá muita dificuldade em cancelar
não. Porem minha sogra não deixou. Antes mesmo de tomarmos alguma atitude, ela
conversou com S e nos proibiu de cancelar. Disse que ficaria muito
triste de ser o motivo do cancelamento de um momento especial em nossas vidas.
E acreditava que a viagem faria bem pra L... viajamos.
Conversei com meus cunhados e pedi para
que falassem sobre o estado de saúde de Dona M apenas comigo . Quando S
perguntasse, tudo estaria sempre bem. Mas, comigo, poderiam falar a verdade. E,
por motivos que (quase) nos indicam que há algo além do céu e da terra, dona M
“esperou” que voltássemos. Apenas 3 dias após nosso retorno, e depois de ter
encontrado com todos os seus filhos, seu coração imenso, com bondade e ternura
muito acima da média, parou de bater.
Mas... enquanto isso, na terra do
Mickey Mouse, vivíamos nossa montanha-russa de emoções... Os primeiros dias
foram incríveis. Alugamos um belo e confortável carro, ficamos num hotel dentro
do complexo da Disney e aproveitávamos para chegar 1 hora antes e sair 1 hora
depois. As crianças sorriam, S sorria, eu sorria. Passamos a noite de ano-novo
com nossos amigos e tudo estava incrível.
Às vezes percebia que S estava meio
distante, no Rio, orando e pedindo pra que não acontecesse nada com sua mãe.
Outras vezes, L ficava distante. Parava. Olhava pro nada e começava a chorar.
Disfarçávamos, saíamos da fila e revezávamos pra ver quem confortaria L. Numa das
vezes, acho que foi no Animal Kingdon, L travou no meio a multidão. Não ia pra
frente ou pra trás. Apenas ficou parada. Petrificada de medo e angústia. Disse
pra S que iríamos ao banheiro e que ela poderia se adiantar com JL e AC... E
fiquei do seu lado. Nos sentamos na beira do lago e conversamos baixinho.
Bebemos um refrigerante e ela recobrou o fôlego.
Esses momentos eram tensos. Deixei de ir numa atração do Toy Story, por exemplo. L começou a respirar de uma forma estranha, meio ofegante, arregalou os olhos e percebi que teria uma crise. "Quer saber? Tô cansado demais. Não quero ir nesse não... Alguém quer buscar um lugar pra descansar?" L disse que queria parar e nos sentamos num lugar próximo.
Vou confessar uma coisa que nunca disse pra ninguém: morria de medo da L não travar sua cadeira numa montanha-russa, de propósito. Sei que é estupidez. Mas.. fazer o que? Sempre que estava ao seu lado, tentava "conferir" se estava tudo travado.
Vou confessar uma coisa que nunca disse pra ninguém: morria de medo da L não travar sua cadeira numa montanha-russa, de propósito. Sei que é estupidez. Mas.. fazer o que? Sempre que estava ao seu lado, tentava "conferir" se estava tudo travado.
E foi assim, entre dias incríveis,
outros mais complicados que cumprimos uma viagem que tinha tudo pra ser
maravilhosa... e foi... Mas foi, ao mesmo tempo, tensa. Talvez por isso que,
num dia, talvez com toda essa tensão acumulada, talvez apenas por ter sido um
idiota, acabei discutindo com a esposa de um amigo meu. O motivo? Uma bobagem.
A reação? Xingamento e uma cena patética. Pra minha sorte, logo no dia
seguinte, nos encontramos, nos abraçamos e pedi perdão. Mas... sabe que tenho
vergonha disso até hoje? Mas passou.
Não sei se foi a melhor decisão que
tomamos. Penso que não foi. Poderíamos ter esperado um pouco. Teríamos
aproveitado mais e tornado nosso momento 100% incrível. Por mais que JL tenha
curtido pra caramba e tenha participado da Academia Jedi (chorei igual
criança), ou que AC tenha adorado ter visto todos aqueles personagens, ou que a
própria L tenha ficado maravilhada em tirar fotos ao lado da Ariel, não foi
“completo”, entende? Se bem que os momentos felizes foram muitos... e foram
intensos também, e os olhos dos 3 brilharam muitas e muitas vezes...
Quem via as fotos publicadas no face,
não imaginava o sofrimento que sentíamos... não imagina quão difíceis tinham
sido as semanas anteriores. Tampouco poderiam adivinhar o que estava por vir. Isso me faz pensar em como as redes sociais publicam "pedaços de ilusão". Sorrisos em volta de uma mesa (tipo comercial de margarina, sabe?) escondendo tensão, medo, raiva e angústia.
Sonhamos em voltar. Queremos ter dias 100% incríveis. E realmente sou apaixonado pela Disney (admito, ok? Todo mundo gosta, lá no fundo de alguma coisa que alguém pode considerar brega).
Sonhamos em voltar. Queremos ter dias 100% incríveis. E realmente sou apaixonado pela Disney (admito, ok? Todo mundo gosta, lá no fundo de alguma coisa que alguém pode considerar brega).
Voltaremos... e será 100% incrível!
Querido amigo, tenho acompanhado o seu blog e tenho me emocionado muito.
ResponderExcluirTambém passei por uma grande batalha com meu irmão caçula, pois foi diagnosticado com esquizofrenia. Ele tentou suicídio por duas vezes.
Depois do diagnóstico resolvi que tentaria tudo para dar a ele melhor qualidade de vida.
Pensei: E se ele tivesse ficado paraplégico?
A nossa família teria que dar a ele toda assistência.
Como você disse, as doenças psíquicas são mais difíceis para as pessoas entenderem.
Lá em casa somos evangélicos.
Mas somos todos "pés no chão ".
Bem, meu irmão é militar reformado da Aeronáutica.
Busquei psiquiatras, exames de mapeamento cerebral e terapias, meus pais paralisaram.
Na véspera da decisão pela reforma ou não dele, meu pai teve um enfarte fulminante e faleceu. Foi mais uma "porrada".
Bem, a história é longa, mas hoje ele vive bem, casou-se e tem um lindo filho.
Nunca desisti do meu maninho.
Deus me deu muito conforto nos momentos de crise.
Um abraço.