Capítulo 10 – Filmes, séries e livros – Alimento para alma
capítulo 10 - “te
ver é uma necessidade... vamos fazer um filme...”

Não tenho dúvidas que influenciamos os
livros e filmes que nossos filhos “consomem” na infância. Afinal, temos o
controle remoto na mão, compramos seus ingressos e os levamos para espetáculos.
A escolha, pelo menos até uns 10 anos, é nossa, dos pais. Depois, fica muito
complicado (pra não dizer impossível) proibir o conteúdo que seus filhos terão
acesso. ó... sou favorável a, volta e meia, darmos uma olhada no que nossos adolescentes andam acessando, ok? Num clique há milhões de boas e terríveis informações. Logo, vale a pena sempre conversar com eles a respeito.
L e JL gostam de vários filmes que eu
gosto: Senhor dos Anéis, Poderoso Chefão, De volta para o futuro, Star Wars, vários...
Volta e meia fazemos uma maratona de uma dessas trilogias, regadas a pipoca,
risadas e conversas. E são momentos especiais. São vários momentos marcantes
que tivemos envolvendo idas ao cinema ou ao teatro. Desde muito cedo (no caso
da L desde os primeiros 30 dias de vida) que os levamos para rir, chorar e se
emocionar com a sétima arte. Com AC o "cardápio" é diferente, mas também dedico tempo pra ver Desventuras em série (boa surpresa) ou DPA (esse é um momento chá de boldo, mas ela gosta)
Uma vez, enquanto via o filme “questão
de tempo” ao lado da L, comecei a chorar. E chorava forte, quase soluçando. L
estranhou e, ao final do filme, disse “engraçado, só te vi chorar na morte da
sua prima e no nascimento dos seus irmãos. O que esse filme teve de tão
especial?”
“L, me dei conta de uma coisa muito
triste: cada ano a mais na vida dos seus avós, é um ano a menos com eles. Isso
é triste. Os bons, deveriam ser imortais...”
Mas não são... por isso precisamos
“amar as pessoas como se não houvesse amanhã” ... E vamos viver cada momento
especial com nossos filhos. Uma das coisas que mais ouvi ao longo da vida como
executivo era, ao falar com colegas mais velhos, ouvia sempre aquela clássica
“eu não vi meus filhos crescerem...”
Nesse ponto, acredito realmente que não
falhei... já sentei no chão de livrarias, no meio do corredor do shopping,
brinquei de boneca, tentei jogar futebol com JL, li muitos livros junto com
eles, fomos ao teatro, cinema, vimos séries, fomos a museus, viajamos...
nossa... fizemos muita coisa juntos. E continuamos a fazer... E o cinema é um componte importante desse momentos "pais e filhos".
Gosto de filmes de terror e L e JL
também gostam. E, volta e meia, assistimos alguns juntos. Ano passado, por exemplo,
fomos ao cinema ver “Hereditário”. Um filme de terror diferente, com um roteiro
muito bom, que deixou JL “preso” na cadeira me vários momentos, apesar do
desfecho meio bobo. No dia em que vimos “O Exorcista” junto, JL riu... Anos
antes, L e duas sobrinhas muito amadas, a dupla M&M, também riram do
filme... o que me fez lembrar da vez em que vi, junto com meu amigo FL e
morremos de medo... Que geração é essa que ri de O Exorcista??????
Nunca acreditei quando algumas pessoas
me disseram que esses filmes podem ter influenciado L e colaborado para que a
depressão surgisse, ou aumentasse, ou sei lá que termo você queria usar.
Perguntei pro médico e ele concordou comigo. Mas me alertou algo que eu já
tinha pensado e ouvido: alguns filmes, páginas na internet ou livros precisam ser
evitados nos momentos de crise.
Acho que já devo ter comentado algumas
páginas que L “curtia” no Facebook. Chegavam ao cúmulo de fazerem enquete sobre
a melhor forma de se suicidar e enviavam tutorias sobre como fazer. Ela dizia
que participava dessas páginas para dar conselhos para que outras pessoas não
se machucassem. Acredito na intenção. Mas não creio que as fotos de tantos
jovens com suas marcas pudessem ser “bom alimento” pra quem está num momento tão
delicado em sua vida. Cuidado... especialmente nos "dias ruins".
Um exemplo disso é uma série da Netflix
“13 reasons why”, É sobre uma jovem que, após cometer suicídio, deixa uma série
de fitas explicando o motivo que a levou ao suicídio. Assim que saiu a série,
conversei com Dr.T e Dra AP. Concordamos que não seria uma boa ideia para L.
Ela concordou e, mesmo hoje, quando está super
bem e há tempos sem crise alguma, não tem interesse em ver.
Pode ser que eu esteja cometendo uma tremenda injustiça com a série. Pode ser que seja uma bobagem e os temas mais pesados como bullying, sexo, drogas e dilemas da adolescência sejam abordadas de uma forma leve, tranquila, estimulando reflexão e diálogo. Pode ser... Mas li algumas críticas negativas e como poderia afetar pessoas mais sensíveis. Por isso resolvemos não arriscar. Na dúvida, não ultrapasse.
Pode ser que eu esteja cometendo uma tremenda injustiça com a série. Pode ser que seja uma bobagem e os temas mais pesados como bullying, sexo, drogas e dilemas da adolescência sejam abordadas de uma forma leve, tranquila, estimulando reflexão e diálogo. Pode ser... Mas li algumas críticas negativas e como poderia afetar pessoas mais sensíveis. Por isso resolvemos não arriscar. Na dúvida, não ultrapasse.
Ou seja, se você está passando por essa
luta, converse com seu médico e psicólogo sobre o que deve ou não ser visto.
Dependendo da fase que você esteja, concordo que algumas coisas precisam ser
evitadas. Não é o filme de terror que pode desencadear o contato com o “diabo
da depressão”. Isso é uma bobagem. Desculpa se você acredita nisso, mas é minha
opinião. Respeito a sua... Levei esse “crédito” de maneira absolutamente
injusta...Mas no momento de dor mais profunda, convém evitar exposição
desnecessária, encorajamentos e assuntos que possam aprofundar a tristeza.
Por favor, não confunda com censura.
Sou radicalmente contra qualquer tipo de censura. Sou do tipo que acha que “a
arte não precisa ter limites”. Não gostou? Não veja, mude de canal, não vá à
exposição, ao teatro, ao cinema, etc. Simples
assim. Mas não podemos privar alguém de seu direito de assistir a um programa
qualquer porque fere “a moral e os bons costumes”, por exemplo. Histórias em
quadrinhos sofreram ataques nos anos 40/50 porque alguns líderes religiosos
achavam que influenciariam negativamente os jovens. O Rock já foi taxado como “invenção
do diabo”. O cinema idem... Já queimaram livros em enormes fogueiras... Não...
não posso concordar com isso. Mas fico pensando o que acrescentaria, na vida de
um paciente com depressão, ver um filme onde há um tutorial de como acabar com
sua vida... Rigorosamente nada. Ao invés, disso, coloque Cinema Paradiso, A
Vida é bela, O outro lado da vida e abra um sorriso...
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