Caoítulo 5 - tratamentos
Capitulo
5 – “de quando em quando é um novo tratamento”
Cada médico tem uma conduta, prescreve
medicamentos A ou B, sugerem Dr. Fulano ou Cicrano como psicólogo de confiança.
E a gente acaba ficando sem saber lá muito bem se o tratamento está correto ou
se realmente está fazendo efeito. Antes de mais nada é preciso entender que
depressão não se cura com 10 dias de tratamento como uma pneumonia, por
exemplo. Não é uma cepa de bactérias que, ao serem mortas, vão deixando de
provocar sintomas e você consegue perceber claramente que o paciente está
melhor (se tiver algum médico lendo deve ter se revirado pela explicação nada
científica...)
L começou com 3 antidepressivos
diferentes, um ansiolítico, um antipsicótico e um outro que serviria para ajudar
na concentração na escola. Ou seja, passou a tomar 5 produtos diferentes mais o
outro produto para hipotireoidismo. É remédio demais. Era. Era remédio demais.
E com cada um, um efeito colateral diferente. Um dava dor de cabeça, outro
sudorese, outro ganho de peso, outro sei lá o que. Mas o que fazer numa
situação dessas? Não usar os produtos prescritos?
Jamais faça isso. Sempre procure
orientação médica. Se achar que algo está errado, leve a outro especialista.
Mas jamais suspenda um antidepressivo sem avisar ao médico ou seguir algumas
recomendações que estejam em bula. Talvez pelo excesso de medicamentos, L
passou a ficar apática, mais isolada, olhos sem vida e uma aparência cada vez
mais estranha. Minhas irmãs chegaram a questionar se não havia produtos
demais... Uma cunhada idem. Mas ficamos inseguros em suspender ou procurar
outro médico. Foi apenas quando um pastor da Igreja veio perguntar se não
queríamos o nome de algum outro médico que percebemos que realmente algo
poderia estar errado.
Interessante esse ponto. Algumas
pessoas, às vezes, até percebem que algo pode estar errado com seus filhos, que
você pode ter tido uma atitude errada ou feito algo indevido, mas não falam
nada. Eu entendo. Conheço uma pessoa que não admitia que se falasse nada sobre
seu filho. Discipliná-lo então, nem pensar. Até um dia que ele se envolveu com
drogas (exagero... foi apenas um baseado) e paramos para conversar. Iniciei a
frase com
“desculpa
estar me intrometendo, mas...”
“Que
isso. Você tem todo o direito de dar uma sugestão, afinal, você ama nosso
filho.”
“pois
é. Mas vocês nunca deram essa abertura. Se falássemos alguma coisa sobre seus
filhos, vocês amarravam a cara e diziam que vocês sabiam o que era melhor pra
eles...”
Aqui eu destaco uma decisão que tomei.
Sempre que ver uma atitude errada ou algum filho de um grande amigo, parente,
alguém especial, enfim, alguém que seja importante pra mim, chegarei perto e
direi “preciso te falar uma coisa...” Por que eu digo isso? Porque ouvi de
pessoas próximas, muito próximas:
“É.
Eu sempre achei que L ficava muito sozinha, sem amigos, meio isolada. Desde
pequena...”
“e
por que a senhora nunca falou nada?”
Acredito que a pessoa não esperava que
eu desse uma resposta tão direta e tão simples. Mas acho que fui um pouco duro
demais. Assim como digo pra mim mesmo que não tenho culpa, esse talvez tenha
sido um típico comentário de quem pode estar buscando alguém para transferir a
responsabilidade. E outra: algumas crianças simplesmente são mais tímidas. Essa
talvez seja outro fator que complique ainda mais o diagnóstico e a forma como
lidar com a depressão em crianças e adolescentes. É muito difícil discernir
quando é uma crise de ansiedade ou apenas “birra de adolescente”. Sabe quando
seu filho quer alguma coisa, você não dá e ele fica batendo o pé, exigindo e
chantageando de várias formas? Pois é. Não pense que seu filho deixará de
fazê-lo apenas por estar tratando sua depressão. Pelo contrário. A sensação que
dá é que, às vezes, eles fazem com maior ênfase essas birras e nos têm nas
palmas das mãos com incrível facilidade.
Dentre os produtos que L usava, havia
um para déficit de atenção e outro para bipolaridade. Déficit de atenção tem
cada vez mais diagnóstico e, andei lendo, alguns médicos não sabem lá muito bem
se realmente a criança ou adolescente realmente tem esse problema. Alguns
especialistas falam também da tal hiperatividade. Parece que não existem mais
crianças levadas, elas são hiperativas. Pode ser? Pode. Não sou especialista...
Mas vale a pena sempre ouvir uma segunda opinião ou a opinião de um médico
realmente muito bom.
Sobre o que li por aí, a bipolaridade pode
não ter lá relação com a depressão. Ou seja, pode ser que o paciente seja
bipolar sem ser deprimido. E vice-versa. Aqui é que a situação requer um
cuidado especial dos pais. Imagina seu filho acordando sorrindo, cantando,
dançando pela casa como se estivesse numa cena de La La Land. Muito bom, né?
Daí 10 minutos depois, dentro do carro, no caminho para a escola, ela amarra a
cara, fica calada e parece não querer contato com mais ninguém.
“está
tudo bem, filha?”
“tô
viva, não tô?”
“tá.
Mas eu perguntei se está tudo bem.”
E não dá uma resposta. Esse é um
exemplo simples pra esse problema tão complexo e cada vez mais popular. Lidamos
com isso nos últimos anos. Num minuto ela está bem e cheia de planos. Daí, ao
entrarmos em seu quarto imundo, cheio de roupas sujas espalhadas, meias e tênis
misturadas com prato sujo debaixo da cama (típico de adolescentes) e damos uma
bronca mais firme, “desaba o mundo”, ela chora copiosamente e as coisas viram
de cabeça pra baixo. E aí, fazemos o que? Deixamos o prato se misturando com o
All Star preto podre debaixo da cama, ou colocamos pé firme para que ela cumpra
sua obrigação?
Durante um bom tempo, recuamos. Eu e S
não sabíamos como lidar com esse tipo de situação e simplesmente deixávamos pra
lá, com medo de agravar a crise. Até porque é muito difícil entrar no quarto de
alguém que não toma banho há 3 ou 4 dias... Hoje, com um pouco mais de
experiência, dá pra sentir um pouco quando é malcriação, quando realmente é uma
crise. Mas não se preocupe se você não souber efetivamente do que se trata. Seu
filho adolescente sempre achará que você está errado. E vice-versa. Como dizia a música da Legião
“você
culpa seus pais por tudo
E
isso é absurdo.
São
crianças como você
O
que você vai ser
Quando
você crescer”
Não deixe de dar uma “bronca” mais
forte por medo de uma crise. Crianças e adolescentes sabem como manipular seus
pais... muitas vezes eles se esquecem que também já tivemos sua idade. Converse
com o psicólogo e com o psiquiatra pra saber a melhor maneira de lidar com
esses problemas do dia-a-dia. E releve, sempre, as opiniões de quem o cerca. Ouça.
Reflita. Pondere. Mas lembre-se: sempre haverá aquele amigo ou parente falando
da tal força de vontade ou que conhece um fulano que venceu sozinho, sem
remédios ou médicos. Ou outro que dirá “deixa eu fazer uma oração”? Deixa a
pessoa orar. Vai fazer mal? Claro que não...

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ResponderExcluirTalvez possa ajudá-los.
Obrigado, Jeferson... olharei sim... Mas "L" está super bem... 2018 foi um "divisor de águas"... obrigado pela visita
ExcluirSei muito bem o que é isso Fábio senti na pele e não foi somente uma vez. Foram três vezes. Sofre a família, sofre os amigos e você que não entende porque está acontecendo aquilo. Me olhava no espelho e não me reconhecia apática olhar perdido sem brilho e logo eu que sempre tive um sorriso largo e um brilho no olhar...
ResponderExcluirverdade... todos à sua volta sofrem... mas não dá pra mensurar o sofrimento de quem está no centro dessa tempestade. mas... como toda tempestade, passará... siga em frente... acredite...
ExcluirEsse capítulo descreveu todo o meu filho, nossa como passo por isso, fico com receio de chamar a atenção, pq como vc descreveu, tudo vira de ponta a cabeça, então, ele tá num momento bom, faz algo errado, eu ou o pai chamamos atenção, pronto, reverte tudo, cara fechada, apatia, olhos cabisbaixos, muito difícil saber lhe dar com essa situação. Obrigada me ajudou muito.
ResponderExcluirÉ, Carla, não existe, infelizmente, uma "receita de bolo"... na minha opinião funciona na base do "tentativa e erro". Mas vocês precisam ter paciência e não deixar de disciplinar. Penso que minha esposa perdeu tempo demais achando que não deveria dar "um aperto" pelo medo das reações. Seja firme. Uma dica: seja dura com o problema, não com ele. QUem sabe? beijo grande...
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